Thursday, November 06, 2008

O Quarto





Se desfaz em dúvidas e se refaz em certezas em frente ao espelho.
Sempre falta um pedaço porém, pois para cada resposta duas perguntas.


E, cada vez mais incompleto, fecha os olhos e contempla o silêncio agraciado pelas frestas de luz que iluminam seu interior a cada resposta. Ou a cada pergunta?






Quanto mais vazio de si, mais o preenchia o quarto. O infinito particular revelava-se oco perante o universo ao redor invadindo aquele que experimentava a sensação de dissolver-se.


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O mundo tinha uma história a escrever ali, maculando a perfeição estéril daquelas paredes brancas com suas linhas tortuosas.

Wednesday, November 05, 2008


Correr contra o Sol é parar no universo?
Pôr-se a contra-luz é eternizar o movimento.

Correr com o Sol é eternizar o dia.
Posar à luz... é parar no tempo?

Friday, October 31, 2008

Revoluções Internas # 3


Wednesday, October 29, 2008

Chuva

Se das nuvens nos precipitamos fragmentados em queda livre sem alvo certo, espero que caia em um jardim e brote numa flor. Que viva com ela até que o tempo a seque e leve sua alma então perfumada à nuvem onde estarei esperando.



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É toda vez que caímos no chão que olhamos para o céu lá no alto e acordamos para seu azul como se fosse a primeira vez.
Amor é nuvem que o vento modela.

Thursday, August 09, 2007

Por meias palavras


- Te amo. Se você quiser namorar comigo, ainda quero.

- Posso te fazer uma pergunta visceral?

- Faça.

- Você quer namorar comigo por afinidade ou atração?

- Afinidade... e porque gosto de você; descobri.

- Você sente vontade de me beijar?

- Sim. Mas evito.

- Vamos deixar as coisas acontecerem naturalmente e fazer o que tivermos vontade?


- Isso é um não. Tá. Esquece o que falei.

- Não. É um sim. Enfim... o ruim de falar por meias palavras é que sempre acabo mal entendido.

- Verdade. Eu interpretei tudo errado.

- E agora?

- E você? O que sente?

- Quando você está por perto, só parece existir você no mundo. Não consigo pensar em nada muito além de você. Me lembro de uma vez que estávamos em sua casa, na sua cama. Eu coçava suas costas, como sempre... naquele momento lembro de ter sentido uma espécie de felicidade que a gente não experimenta toda hora. Sabe?


A dama chorou.

Monday, August 06, 2007

Do Livro de Sonhos V

Pois. Menina me visitava de surpresa e, surpreso, via seus presentes guardados em caixas. Eu pegava sua flor de pano carregada de mensagens e sorria. Via seu urso em cores e traços femininos e me perguntava onde poderia exibí-lo sem me expor. Menina caminhava pela casa tomada pela luz laranja. Andava por entre a ordem que não era minha; pois só o caos me pertence. O caos onde suas coisas se espalham por meu lar, que é onde deixo meu coração quando parto. Egraçado. Menino também estava alí, sentado em frente ao computador. Um parecia ignorar a presença do outro, e eu não conseguia encaixá-los no mesmo raio de visão. Seriam tão soberanos quanto atros-reis que fazem tudo dia quando estão perto?

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"Eu quero ser estrelinha", me dizia Menino. Estrela é um Sol distante. Então ele não queria ninguém por perto, teria medo de ser tudo. Medo dos corpos consumidos no seu centro gravitacional. Mas lá estava eu, em chamas.

Monday, July 23, 2007

Van Pelt

- Não são lindas as nuvens? Parecem bolas enormes de algodão! Eu podia ficar aqui o dia inteiro observando elas se mexerem. Se a gente usar a imaginação, vê um monte de coisa na formação das nuvens. O que é que você acha que vê, Linus?

- Bem... aquelas nuvens lá em cima parecem o mapa das Honduras Britânicas, lá no Caribe. Aquela nuvem alí me lembra um pouco O Pensador de Rodin; aquela famosa escultura. E aquelas nuvens lá em cima me fazem lembrar as ruínas do Partenon. E eu vejo o apóstolo Paulo de pé, lá do outro lado.

- É, isso é bonito. E o que é que você vê nas nuvens, Charlie Brown?

- Bem... eu ia dizer que vi um patinho e um cavalinho, mas mudei de idéia.